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Foto: Hélder Afonso/Youtube

O Cabo de São Vicente, no sudoeste de Portugal continental, desde sempre atraiu muita curiosidade. Há relatos da presença humana no local desde há vários séculos e está associado à lenda de São Vicente, mártir que ali terá dado à costa e que lhe deu o nome.

Talvez atraído também pelo misticismo deste cabo, Hélder Afonso, fotógrafo e realizar de vídeos com drone, captou a fantástica beleza natural desta região, bem como o farol mandado construído por D. Maria II, que terá substituído uma antiga ermida onde monges orientavam navegantes de outros séculos.

O resultado, partilhado na página do Youtube Portugal Visto do Céu, é simplesmente impressionante. Assista ao vídeo e deixe-se encantar com uma das mais únicas paisagens algarvias.



O Algarve também pode ser inesperado. É exatamente este adjetivo que a 'Up Inflight Mag', a revista de bordo da TAP, carateriza o Algarve. Deixando as praias, há toda uma região interior para descobrir em pleno contacto com a natureza e onde estender a toalha. São esses locais os protagonistas do artigo, mas não só. 
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A primeira paragem é a Fonte Benémola, junto a Querença, Loulé. "Nesta paisagem protegida caminha-se e pedala-se num trilho acompanhado por uma ribeira que contribui para a fauna e flora diversificadas", começa por descrever o artigo, sem esquecer o parque "perfeito para um piquenique". 
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Segue-se viagem até Alte, a "aldeia mais típica do Algarve" com as suas chaminés algarvias e o "muito património arquitetónico". Em Alte há duas fontes que atraem qualquer um. Na Pequena, destaque para "o azulejo tradicional onde os poemas de Cândido Guerreiro rezam as gentes, a terra e as amendoeiras". Já a Fonte Grande é um apelo a mergulhos e a Queda dos Vigários uma das suas surpresas. 
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Entre um intenso verde sem comparação no Algarve, revela-se a Villa Termal das Caldas da Monchique, onde as propriedades medicinais das suas águas são reconhecidas. Nesta zona há ainda para descobrir o parque de merendas do Barranco de Pisões, onde pode também tomar banhos refrescantes e encontrar uma fonte de água pura.  
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"A poucos metros, visita obrigatória ao Moinho do Poucochinho, também local de passagem da ribeira de Seixe", pode ler-se ainda artigo. E depois há a Fóia, o ponto mais alto do Algarve e a rota das cascatas (Penedo do Buraco, Barbelote e Chilrão), que pode fazer a pé ou em modo todo o terreno. 
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Viajando em direção a este, Alcoutim é ponto de partida para a Via Algarviana, um rota pedestre de 300 quilómetros que vai até ao Cabo de São Vicente. É também aqui que se encontra a única praia fluvial classificada na margem esquerda da Ribeira de Cadavais. A canoagem ou um passeio de barco pelo Rio Guadiana são opções para explorar esta paisagem natural, onde Portugal e Espanha se olham de frente. Da outra margem, em Sanlúcar del Guadiana, pode fazer uma descida de slide até Alcoutim, na única travessia transfronteiriça do género em todo o mundo. E para finalizar o dia, um flash ao pôr do sol junto à Ribeira de Odeleite.  

A próxima edição da Algarve Nature Week já tem data: 5 a 14 de maio. Já a Mostra de Turismo de Natureza acontece de 5 a 7 de maio de 2017 e poderá ser visitada no cais das Quatro Águas, em Tavira.  
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A 3ª edição da mostra assenta a sua base num dos cenários mais naturais mais fantásticos do Algarve: junto à Ria Formosa. Depois de Faro e do Passeio das Dunas, em Quarteira (Loulé), o cais das Quatro Águas recebe a Algarve Nature Week após grandes obras de remodelação, que mudaram toda a frente ribeirinha da cidade. 
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A Algarve Nature Week é uma iniciativa da Região de Turismo para promover experiências e atividades em contacto com a natureza, seja em terra no mar. Em 2016, participaram 68 empresas, entre agentes de animação, unidades de alojamento e agências de viagem, o que representa um crescimento de 30% face ao ano anterior.  
É uma das plantas mais raras do mundo e um dos segredos do Algarve. A adelfeira é uma planta que se pode encontrar na serra de Monchique e mais perto de Odeceixe também e tem o seu período de floração apenas em maio e junho, quando as bonitas flores salpicam de lilás o verde da serra.
 
A adelfeira é também conhecida como adelfa, rododrendo ou até loendro, nome dado a outra planta semelhante e que há distância até se pode confundir. Em Portugal, pode encontrar-se, para além da zona de noroeste do Algarve, na Serra do Caramulo. Fora do País, foi apenas encontrada na Andaluzia, Espanha.
 
Mas nem sempre foi assim. A planta existe desde o período pré-glaciário, quando ocupava toda a Europa. Mas durante o arrefecimento global e consequentes glaciações, ficou restringida a zonas onde não havia formações de gelo. Esta significante alteração climática reduziu o seu habitat a raras zonas.
 
A adelfeira cresce em vales abrigados, húmidos e perto de linhas de água e à sua existência estão associados o feto-real, a flor Campanula primulifolia e a faia das ilhas. É neste habitat que se pode encontrar ainda o Lagarto d'Água, cuja população na região está em risco de extinção devido ao seu isolamento, e a rã-ibérica.
 
Contudo, a adelfeira não é uma perfeita desconhecida. Em tempos, a sua lenha era usada para construir os taipais das carroças de bois. Substituída a força animal na agricultura pelas máquinas, a planta perdeu utilidade, mas nem por isso deixou de embelezar a região.
 
Maio e junho são os meses em que as adelfeiras abrem as suas bonitas flores e pintam a paisagem de lilás, num espectáculo que merece ser visto. Para as encontrar, pode seguir a Rota das Árvores Monumentais, situada em Monchique, que a Via Algarviana preparou em parte do seu percurso. E se vir uma, preserve-a.
 

A sua existência é muito ténue. Contudo é preciso ter atenção: as adelfeiras contêm um tipo de veneno que causa perturbações intestinais, como a diarreia. Ainda assim, e apesar do desconforto, não são mortais.

É à beira do Guadiana, que se encontra a segunda Reserva Natural mais antiga do País: o sapal de Castro Marim e Vila Real de Santo António. A 27 de março de 1975 era publicado o decreto-lei que colocava esta zona húmida de caraterísticas excecionais na lista de áreas protegidas.
 
Quase a terminar a longa jornada de cerca de 850 kms, desde a sua nascente em Espanha, e antes de desaguar ao largo de Vila Real de Santo António, o Rio Guadiana abre-se pela planície, conquistando terreno com as suas águas. O sapal ocupa uma área de cerca de 2000 hectares, sendo dois terços de zona húmida.
 
É neste estuário que dezenas de espécies encontram o habitat perfeito para a reprodução, como peixes de água salgada (robalo, a dourada ou o sargo, entre outros) ou de água doce (sável, savelha ou lampreia-marinha), e crustáceos, que se desenvolvem nos charcos temporários de inverno.
 
Este é também um habitat com condições ideais para a presença de aves. Já foram contabilizadas quase 200, a maioria das quais aves migradoras de inverno, como o colhereiro ou o flamingo. Mas o mais significativo nesta região é o pernilongo, eleito símbolo da Reserva Natural. A cegonha-branca também aqui se fixou com uma população importante a nível europeu. Há também as aves aquáticas e as dos sapais secos.
 
Por aqui foram também identificadas mais de 30 espécies de mamíferos, entre as quais se destacam as lontras e os morcegos, ambas incluídas na lista de animais ameaçados. Os terrenos húmidos são igualmente muito ocupados por mais de 100 espécies de insetos e por anfíbios e répteis.
 
A tanta variedade faunística junta-se uma panóplia de mais de 400 espécies de plantas, algumas das quais que só se verificam em Portugal, outras que só existem no Algarve e ainda uma que ocorre apenas nas colinas junto ao Rio Guadiana.
 
Nas zonas secas entre Castro Marim e Vila Real de Santo António, predominam a agricultura e os pomares, com árvores típicas como a alfarrobeira, a figueira ou a amendoeira.
 
Seguindo os trilhos da Reserva, rapidamente encontra a imensa diversidade de fauna e flora, mas também as salinas de Castro Marim, produzido nesta região desde os tempos da ocupação romana, há cerca de 2000 anos. Atualmente, o produto mais apreciado e reconhecido produto é a flor de sal, que chega às mesas nacionais em conjugações fantásticas. Mas pode também deleitar-se com um banho mineral nas salinas, que relaxam o corpo e a mente.
 

Para ter uma vista privilegiada sobre toda esta Reserva Natural, o melhor é ir até Castro Marim e admirar a paisagem a partir de um dos miradouros existentes, como o Revelim de Santo António ou o Castelo.

Na semana em que a Ria Formosa esteve em destaque e depois de já termos falado sobre algumas das suas particularidades e riquezas, convidamos a fazer um passeio para conhecer melhor os cantos e recantos deste Parque Natural.

 

Para começar esta viagem, convidamos a uma visita ao Miradouro de Santo António do Alto ou ao Arco da Vila, ambos em Faro, para ter uma ampla vista panorâmica sobre a Ria Formosa. E a Vila Adentro merece que por ela dispense algum tempo.

 

Sem perder a Ria de vista, seguimos para Olhão, cidade que parece ter sido trazida do norte de África para o sotavento algarvio. Merece por aqui uma visita aos bairros típicos e ao Mercado, onde encontra alguns dos melhores sabores que a Ria oferece.

 

A partir de Faro ou de Olhão, pode apanhar as ligações feitas por barco para as ilhas da Ria: Barreta, Culatra e Armona. Por lá, pode desfrutar do saudável convívio entre o homem, a paisagem e o que a Ria pode oferecer. E se estiver bom tempo, descanse nos longos areais.

 

Deixando o centro urbano de Olhão, há a explorar o Centro de Educação Ambiental de Marim, onde pode visitar o moinho de maré de Marim, vestígios arqueológicos ou habitações tradicionais recuperadas. O Centro tem um percurso pedestre, de fácil acessibilidade, onde pode ainda observar a avifauna selvagem.

 

Seguindo para este, vale a pena visitar a Torre de Aires, uma torre de planta circular em alvenaria, que se supõe ter origem árabe. A torre tinha como função vigiar a costa de possíveis ataques piratas e é ainda um belo exemplar do sistema defensivo que existia na Região.

 

Durante este passeio, Santa Luzia, a vila piscatória junto à Ria Formosa, merece também uma visita e uma paragem para degustar as receitas tradicionais de polvo, ou não fosse este o único porto nacional que se dedica em exclusivo à pesca deste molusco.

 

Em Tavira, reserve algum tempo para conhecer as ruelas do centro histórico, o castelo, os vestígios romanos e as reminiscências da presença árabe. Olhando a vista, os telhados de tesouro dão uma identidade arquitetónica rara, antes de se vislumbrarem longas e cortadas salinas, de onde é extraído sal e flor de sal com Denominação de Origem Protegida. Para assistir à recolha do sal, o melhor é vir no final do verão. Se tiver tempo, não deixe de visitar uma das mais de 20 igrejas que há na cidade.

 

Chegamos, então, ao último ponto deste passeio: Cacela-Velha. Aldeia classificada como Imóvel de Interesse Público vai deixá-lo de boca aberta com a vista sobre a Ria Formosa. A pequena aldeia encavalitada na falésia é motivo de interesse também pelos achados arqueológicos e pelo seu valor patrimonial. Romanos e árabes estabeleceram-se aqui e dela fizeram um ponto de grande interesse. Lá em baixo está uma das poucas praias que ainda permanecem quase em estado selvagem: a Praia da Fábrica, que já foi considerada uma das melhores do mundo.

 


Este passeio pode ser feito de carro, mas também de bicicleta. Em algumas zonas, há mesmo percursos destinados para as bicicletas. E pode sempre embrenhar-se pelos trilhos e descobrir muitas outras belezas do Parque Natural da Ria Formosa.

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Num habitat tão variado e rico não é de estranhar a presença de diversas aves na Ria Formosa. Já foram identificadas cerca de 300, entre residentes e migratórias. Algumas são muito raras e outras encontram-se entre as espécies ameaçadas a nível nacional. Entre todas, destaca-se o Camão, ou Galinha-Sultana, símbolo do Parque Natural e que, devido ao perigo de extinção, é uma das mais protegidas.
 
A Ria Formosa situa-se na rota migratória das aves que deixam o norte da Europa durante o inverno e usam esta zona como ponto de escala. Entre as aves que aqui passam, destacam-se o pato-real, a piadeira, o pato-trombeiro, o marrequinho-comum, borrelho-de-coleira-interrompida, a tarambola-cinzenta, o fuselo, o maçariço-de-bico-direito ou o perna-longa, entre muitas outras.
 
Este é também o habitat escolhido para a garça-branca-pequena ou para a cegonha-branca. Uma das aves residentes mais significativas é a andorinha-do-mar-anã, uma espécie em declínio na Europa e que tem nas dunas e salinas da Ria Formosa cerca de 40% do seu efetivo populacional em Portugal.
 

Esta é, por isso, uma excelente área para a observação de aves, que ganha cada vez mais adeptos em todo o mundo. E existem vários locais muito oportunos onde pode encontrar diversas espécies: Forte do Rato e Arraial Ferreira Neto, Sítio das 4 Águas, Santa Luzia (Tavira), Quinta do Marim (Olhão), Ludo e Lagoa de S. Lourenço, Ilha de Faro, Parque Ribeirinho de Faro (Faro).

A Ria Formosa tem a maior comunidade de cavalos-marinhos do mundo, facto que motivou a escolha deste animal como símbolo da Semana da Ria Formosa. Foi neste habitat que foram encontrados no início do século XXI cerca de 2000 indivíduos de duas espécies: cavalo-marinho de focinho-longo (hippocampus guttulatus) e cavalo-marinho de focinho curto (hippocampus hippocampus).
 
Desde então, a sua comunidade sofreu um enorme abalo, mas dados de 2009 revelam que houve um ligeiro acréscimo do número de cavalos-marinhos. A poluição sonora subaquática, a degradação ambiental, a pesca, a pressão humana e fatores naturais têm um impacto negativo sobre as comunidades deste peixe tão sensível.
 
Apesar de já ser um animal muito conhecido, foi durante largo tempo considerado por muitos como ser mitológico. É real, mas ainda assim não deixa de ser especial pelas características que apresenta:
 
Os machos ficam grávidos!
A fêmea deposita os seus ovos numa bolsa que o macho tem no abdómen, tendo o macho a tarefa de os criar até ao nascimento. Quando os ovos eclodem os pequenos cavalos-marinhos são libertados pelo macho através de contrações que podem durar até 12 horas. As crias são independentes após o nascimento e somente uma em um milhar sobrevive até à idade adulta.
 
Não parecem peixes mas são!
Os cavalos-marinhos não parecem os peixes típicos, mas estão classificados como tal, devido às seguintes características: a bexiga natatória para controlar a flutuabilidade, guelras para respirar e barbatanas para os propulsarem na água.
 
São peixes, não têm escamas
Os cavalos-marinhos não têm escamas, o seu corpo é constituido por um exoesqueleto que consiste em placas rígidas fundidas entre si.
 
Adoram comer!
Os cavalos-marinhos realmente adoram comer. Eles alimentam-se constantemente de pequenos crustáceos, para satisfazer um elevado metabolismo de modo a se manterem vivos. As crias podem ingerir umas impressionantes 3000 porções de alimento por dia!
 
Dançam para acasalar
São criaturas monógamas por cada ciclo reprodutor. A sua corte inclui uma dança em que exibem várias cores, nadando lado a lado e em redor um do outro.
 
São exímios na arte da camuflagem
Estas criaturas são especialistas em esconderem-se no meio onde vivem. Algumas espécies até podem mudar de cor corporal para se misturarem com o meio, enquanto outras já têm a cor adequada, forma, tamanho e textura para se confundirem com corais.
 
Uma cauda preênsil invulgar
Esta cauda permite-lhes agarrarem-se a ervas marinhas e outras algas evitando que sejam arrastados por correntes fortes e ondas.
 
Maus nadadores
Os cavalos-marinhos são maus nadadores. O que os torna diferentes dos outros peixes, é que nadam numa posição vertical. A barbatana dorsal bate a 30-70 vezes por segundo para os propulsar, as barbatanas peitorais ajudam à estabilidade e ao rumo.
 
Os seus olhos funcionam independentemente entre si

Os cavalos-marinhos têm um grande sentido de visão. Os seus olhos movimentam-se independentemente um do outro, de modo a estarem sempre conscientes do meio que os rodeia.

Entre a paisagem milenar das salinas de Tavira ou pelos trilhos da serra algarvia, há um mundo de riquezas para desvendar. A Tavira Walking Tours leva-o em passeios pedestres para descobrir património, tradição, natureza e... segredos.

 

A Tavira Walking Tours disponibiliza três tipos de passeios em cenários distintos com um mínimo de seis quilómetros e um máximo de 12. Comecemos com um percurso à beira da água. As salinas milenares da Ria Formosa oferecem uma paisagem de rara beleza, onde se podem observar diversas espécies de aves em pleno contacto com a natureza.

 

Caminhando para norte, abre-se todo o cenário verde do campo e os trilhos que conduzem a nova surpresa. Num percurso de oito quilómetros, a Tavira Walking Tours convida-o a conhecer o barrocal algarvio, a descobrir uma corticeira ou a visitar uma cooperativa agrícola.

 

Ou pode optar por um passeio que o vai levar a descobrir os fantásticos pomares algarvios e a conhecer a antiga arte de um telheiro algarvio. E pelo caminho, deixe-se conquistar pela paisagem.

 


Os passeios ocorrem sempre de manhã de segunda e sábado e podem ser marcados através do mail geral@tavirawalkingtours.com ou pelo número 913 352 830. Na página da Tavira Walking Tours pode encontrar mais informações. Na imagem abaixo, pode consultar os percursos.


As previsões para o fim de semana não são as mais animadoras: chuva, vento e frio, muito frio. Tanto frio que até podem cair flocos de neve na serra de Monchique. A situação não é inédita, mas também não é usual. Há dez anos, alguns dos pontos mais altos do Algarve assistiram à inusitada queda de neve, mas o grande nevão de que há memória ocorreu a 2 de fevereiro de 1954, quando praticamente toda a região ficou pintada de branco.
 
Contam os relatos desse dia registado há mais de 60 anos, que a neve desceu as terras altas e chegou a cidades costeiras como Lagos, Portimão, Faro, Olhão ou Tavira. Já um dia antes, Aljezur e Odeceixe tinham visto cair flocos brancos descendo do céu, numa imagem sem memória. Era um espectáculo inédito aquele a que os algarvios estavam a assistir e não eram as famosas amendoeiras em flor que cobriam a paisagem de branco.
 
Nessa primeira terça feira do mês de fevereiro, Lagos viu cair um abundante nevão. Os mais idosos não escondiam o espanto de ver tal fenómeno. Tal como em Portimão, onde a neve caiu durante três horas nessa tarde e chegou atingiu uma altura entre os 20 e os 30 centímetros. As temperaturas rondaram nesse dia os 0 graus centígrados, muito abaixo dos valores normais da região, em qualquer altura.
 
A neve, que até então só tinha conhecido o Alto da Fóia, na serra de Monchique, estendia-se então a toda a região. Na zona de Silves, a cidade e os campos ficaram 'pintados de branco' e em São Brás de Alportel, nevou durante dez horas consecutivas, tendo as ruas ficado cobertas por um manto de 30 centímetros. Também Loulé assistiu a este espectáculo, como dão conta fotografias tiradas junto ao Mercado e na Avenida José Costa Mealha.
 
Os testemunhos sucedem-se. A neve caiu em Faro durante parte do dia e da noite, despertando a curiosidade da população. Em Olhão nevou abundantemente durante a tarde, tendo sido interrompidas a eletricidade e as comunicações, como escreveu o 'Diário de Notícias'. E na Fuseta "não há memória de espectáculo tão deslumbrante".
 
A neve chegou também a Tavira. O acontecimento mereceu nota de primeira página do 'Diário de Notícias', dando conta que entre as 18:00 e as 23:00 daquele dia nevou abundantemente na cidade, tendo atingido os 30 centímetros e o jornal 'Povo Algarvio' publicou fotografias de crianças a brincar com a neve. Mas em Cachopo, zona alta do concelho, a neve acumulou-se 60 centímetros e em Santa Catarina também caiu com abundância, tendo os bombeiros sido chamados a ajudar as populações. Lia-se na mesma publicação que todas as árvores se assemelhavam a amendoeiras em flor.
 
Os relatos dão ainda conta da queda de neve em Armação de Pêra, Tunes, Algoz, São Bartolomeu de Messines, Porches, Alcantarinha e Bensafrim ou Estói.
 
NEVE REGRESSOU EM 2006
 
A neve regressou ao Algarve em 2006, mas muito mais tímida. O Alto da Fóia, em Monchique, foi, como sempre o ponto previsto para a queda de neve, mas que não chegou a ultrapassar os dois centímetros.
 

Apesar de em quantidade muito mais reduzida, há registos ainda de terem caído flocos em localidades interiores de Barranco do Velho, Cortelha, Montes Novos, Ameixial, Malhão, Messines e São Marcos da Serra.