A
13 de maio, Quarteira comemora o seu aniversário de elevação a
cidade. Mas a história desta antiga vila de pescadores remonta a
milhares de anos, comos os vestígios arqueológicos comprovam. Menos
certa é a origem do seu nome.
Os
primeiros habitantes desta zona terão sido os fenícios e os
cartagineses que se instalaram em povoações junto à costa, alguns
séculos antes de Cristo. A pesca e as atividades derivadas da mesma
seria por essa altura a atividade económica de maior relevo. Apesar
de não haver vestígios dessa época, o mesmo não se pode dizer do
período romano, do qual chegou até aos nossos dias as ruínas do
Cerro da Vila, em Vilamoura.
O
nome de Quarteira será uma derivação de 'Carteia', uma antiga
aldeia anterior ao período romano. Mas há quem defenda que tal está
errado, uma vez que o nome teria surgido apenas aquando da descoberta
de moedas com a inscrição do nome 'Carteia' nesta região, tendo-se
difundido a partir de então. O nome era, à época romana, atribuído
a povoações ao longo das costas ibéricas e africanas. Certo é o
nome 'Quartaria' que aparece pela primeira vez em 1282 e que
designava um vasto território desta região.
Apesar
da região não ocupar um ponto central na organização
administrativa romana, a zona era habitada e as atividades ligadas ao
mar, como a pesca ou a salga, eram atividades dominantes. Com a
ocupação muçulmana, a região não sofreu grandes alterações. O
Cerro da Vila foi inclusive ocupado por novos donos, que mantiveram
parte da estrutura original e realizaram obras de modernização,
como comprovam os vestígios arqueológicos. Mais longe da costa,
terá sido constituída a urbe medieval 'Al-Ulya', atualmente Loulé,
de que Quarteira é uma das suas atuais freguesias.
Quarteira
é conquistada aos muçulmanos em 1250 por D. Afonso III. A 15 de
novembro de 1297, D. Dinis atribuía-lhe o foral. A região passa
então a ser usada para a plantação da cana-de-açúcar. A 16 de
janeiro de 1404, D. João I ordena que sejam coutadas aquelas terras.
Mais tarde, esta produção haveria de passar para a ilha da Madeira.
À
semelhança do que aconteceu com a restante região, Quarteira
assistiu a um novo fulgor económico durante a época dos
Descobrimentos. Loulé era por aquela altura um distribuidor de
frutas, vegetais e vinhos.
Quarteira
passa a ser freguesia em 1916, por intermédio do deputado algarvio
José Maria de Pádua, cumprindo este ano o seu centésimo
aniversário. A 28 de junho de 1984 foi elevada à condição de vila
e a 13 de maio de 1999 passou a ter o estatuto de cidade.
Durante
a década de 60, Quarteira assistiu a um enorme fulgor turístico.
Com quilómetros de praia, a região passou a ser muito procurada, o
que fez mudar drasticamente o panorama urbanístico da zona. Mais
tarde, o investimento maior passou para Vilamoura, onde foram criadas
diversas infra-estruturas, como urbanizações de luxo, campos de
golfe, a marina e outros equipamentos, que colocam esta como uma das
zonas mais luxuosas da Europa.
Já
foi vista como uma erva daninha que invadia e se apoderava das
terras, mas atualmente é apontada como uma erva gourmet. Falamos da
salicórnia, uma planta também conhecida por 'sal verde', e que
cresce em ambientes salinos como os que existem na Ria Formosa. É
comestível e uma boa aposta para substituir o tempero do sal.
A
salicórnia é uma planta halófita, que cresce espontaneamente em
ambientes salinos e, por isso, tolerante à água salgada. Mede entre
30 a 40 centímetros e é muito semelhante aos espargos verdes, daí
também ter a denominação de 'espargos do mar'. É suculenta e
crocante e tem a vantagem que pode ser integralmente aproveitada na
gastronomia, incluindo as sementes. O que faz dela um bom substituto
do sal é facto dela própria ser salgada e poder ser usada em
diversos pratos gastronómicos.
Apesar
de ser pouco conhecida no nosso País, é muito bem vista entre
conceituados chefs internacionais que a levaram de receitas de peixe
e marisco para pratos de carne, como o borrego. E também pode ser
usada em saladas não condimentadas. Os países do norte europeu,
como a Holanda, a França, a Bélgica, a Alemanha ou o Reino Unido,
são os maiores apreciadores desta planta, que por ter baixo teor de
sódio, é um substituo saudável ao sal, nomeadamente para quem
sofre de problemas de hipertensão.
A
sua produção ocorre apenas uma vez no ano, pelo que a melhor altura
para a encontrar é nos meses de primavera e início do verão, até
julho. Mas tem a vantagem de poder conservada no frio entre 1º a 4º
graus, durante 21 dias, como atestou a investigadora Miriam Julião,
da Universidade do Algarve.
O
crescente interesse por esta planta levou também uma investigadora
da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Marisa Ribeirinho, a
pesquisar sobre a salicórnia e os benefícios para o consumo humano
são claros. "As sementes, ricas em óleos comestíveis, possuem
grandes quantidades de iodo, fósforo, zinco e vitaminas A, C e D, e
a planta é referenciada, em estudos científicos internacionais, por
conter propriedades antioxidantes, antitumorais, diuréticas,
estéticas, entre outras”, descreve a investigadora.
Apesar
de não ser ainda muito conhecida, já começa a pertencer ao
circuito dos produtos gourmet, podendo ser encontrada em lojas da
especialidade e também em restaurantes com pratos de autor. Na Ria
Formosa, a Green Salt e a Ria – fresh já se dedicam à sua
produção e comercialização.
A
30 de dezembro de 1773 nascia Vila Real de Santo António por
decreto. Nessa data, era assinada a carta régia pelo rei D. José,
que constituía a nova localidade que iria ser construída a partir
do zero. Em março do ano seguinte era lançada a primeira pedra.
A
construção da nova cidade exigia rapidez, devido a contingências
da política face a Espanha e à vontade do Marquês de Pombal,
ministro do rei D. José. Em agosto de 1774, já estavam construídas
as casas da câmara e da alfândega, os quartéis e iniciava-se a
igreja. Dois anos depois, em 1776, estava pronta a vila representando
os ideais ilumistas que dominaram esta época.
A
construção da cidade foi decidida pelo Marquês de Pombal, que já
tinha conduzido de perto as obras da reconstrução da cidade de
Lisboa, aquando do terramoto de 1755. Não é por isso de estranhar,
a malha urbana octogonal, centrada na Praça que tem o seu nome, como
se a cidade tivesse sido traçada a régua e esquadro. E tal como em
Lisboa, os edifícios foram construídos recorrendo a peças
pré-fabricadas, que depois eram aplicadas no local, o que
possibilitava uma construção mais uniforme e célere.
A
escolha do local para a construção da vila não foi ao acaso. Junto
à fronteira com Espanha, era banhada pelo Rio Guadiana e pelo Oceano
Atlântico e por isso iria ocupar um importante ponto estratégico. E
antes de ser implementada a vila, já antigos povos a tinham ocupado,
como comprovam os vestígios deixados em Cacela. Santo António
Arenilha, criada por D. Manuel depois de 1500, foi a povoação que
antecedeu a criação da vila.
Durante
o século XIX, a prosperidade já marcava a vida de Vila Real de
Santo António. A pesca de sardinha e atum tornaram a vila num
importante ponto conserveiro. Também o seu porto era muito procurado
pelos barcos que subiam o Guadiana. A sua importância era tal que
foi a primeira a ter iluminação a gás, em 1886.
Durante
o século XX, a indústria conserveira viria a perder o seu fulgor,
nomeadamente após o fim das capturas de atum, na década de 70. A
cidade virou-se para o turismo, tendo em Monte Gordo um dos locais
mais procurados pelos turistas de toda a região.
O Bela Vista Hotel & Spa, localizado junto à Praia da Rocha, em Portimão, volta a ser distinguido. Depois de ter ficado entre os melhores Boutique Hostels da lista elaborada pelo trivago, foi considerado um dos '20 hotéis mais bonitos da Europa' segundo o site norte-americano CNN.
Lembra o site que o Bela Vista "foi o primeiro hotel a abrir no Algarve em 1934". E apesar de já terem aberto dezenas de outros alojamentos de luxo, "o charme eclético e íntimo deste boutique hotel mantém-no acima de todos os outros", acrescenta a mesma publicação.
O Bela Vista Hotel & Spa é o único hotel em Portugal a constar da lista elaborada pela CNN, que destaca que o espaço tem sido alvo de reformas modernas e elegantes, mantendo, ainda assim, a decoração original do hotel.
E além do edifício, outro destaque da CNN vai para a sua "piscina exterior de água doce, ladeada por palmeiras com vista para o Oceano Atlântico".
Há
40 ou 50 mil anos, o Homem do Neandertal viveu no vale do Arade,
entre Lagoa e Portimão. Os vestígios da presença humana foram
encontrados depois de uma equipa de arqueólogos ter descoberto uma
gruta, junto às obras de construção da nova Estação de
Tratamento de Águas Residuais (ETAR) de Portimão.
A
descoberta da gruta levou a equipa de arqueólogos a recolher
vestígios no seu interior que vão ser analisados por especialistas
da Universidade do Algarve. Entre os vestígios encontrados há
ossadas de animais e instrumentos de corte em pedra lascada, que eram
usados há mais de 50 mil anos durante o período do Paleolítico
Médio.
No
Algarve existem diversos vestígios da presença humana há dezenas
de milhares de anos, mas esta descoberta é de grande importância,
visto que é uma raridade devido ao período a que remontam. Os
especialistas vão agora investigar em profundidade os vestígios
encontrados, que permitirão ter um maior conhecimento sobre a
presença do Homem Neandertal no sul da Península Ibérica.
Entretanto,
os achados arqueológicos bem como a presença da gruta não impede o
avanço das obras da ETAR de Portimão.
O site de viagens Tripadvisor elaborou um ranking dos 20 melhores hotéis históricos em Portugal, tendo em conta as opiniões dos utilizadores, e dois são algarvios. A Pousada de Sagres e a Pousada da Graça, em Tavira, ambas do grupo Pousadas de Portugal, são os contempladas.
A Pousada de Sagres, implementada na antiga Fortaleza mandada construir pelo Infante D. Henrique e que serviu de apoio aos Descobrimentos portugueses, é a primeira a constar da lista na 9ª posição. "É um hotel histórico adorável e com uma vista incrível. Silencioso. Grande e com uma equipa atenciosa e prestativa", pode ler-se num dos comentários deixados sobre a Pousada. "É como se estivesse numa mansão colonial repleta de instrumentos de navegação", descreve outro utilizador.
Já o antigo convento cristão da Graça, que conserva vestígios judeus e islâmicos, convertido na Pousada da Graça, ocupa a 18ª posição. Um dos utilizadores do Tripadvisor revela que é um "excelente local para umas férias tranquilas". "O antigo convento é um belo edifício com um coração moderno. O ênfase nos materiais antigos dá ao edifício histórico uma sensação caseira", escreve outro comentador.
Recorde-se que recentemente as Pousadas de Portugal receberam o Prémio de Excelência Booking.com 2015, devido à pontuação atribuída pelos hóspedes. A Pousada da Graça conseguiu um índice global de satisfação dos clientes de 90%.
É
um dia cuja tradição se perde na memória dos tempos. Aos 40 dias
após a celebração da Páscoa, coincidindo com a Quinta-Feira de
Ascensão, celebra-se o Dia da Espiga, que marcava também o início
das colheitas. Já não é assim. A queda do feriado religioso
contribuiu para o esquecimento das tradições e devoções
associadas ao Dia. Mas ainda há quem o continue a lembrar, fazendo o
tradicional ramo a que se chama Espiga. Em Loulé o dia continua a
ser comemorado no Dia Municipal e na freguesia de Salir há décadas
que se faz uma festa.
Mandava
a tradição que no Dia da Espiga, que se fosse ao campo apanhar a
espiga de trigo, ou à falta deste de outro cereal, dando nome ao
ramo, que haveria ainda de levar um ramo de oliveira e diversas
flores campestres, como malmequer, papoila, alecrim. O ramo haveria
de ser pendurado atrás da porta até ao ano seguinte, como símbolo
de prosperidade, alegria, saúde e fecundidade. A tradição
mantinha-se ano após ano principalmente nos campos, onde as
populações mais dependiam dos bens que colhiam da terra.
O
Dia da Espiga está fortemente associado à Igreja Católica por
coincidir com a ascensão de Jesus ao Céu, mas pensa-se que a sua
celebração tenha origem pagã, como homenagem à Deusa Flora, que
ocorriam também por esta altura para celebrar a primavera e
consagrar a natureza. Terá sido depois incorporado nas celebrações
da Igreja Católica romana.
O
Dia foi ao longo dos tempos celebrado por terras do Sul. E quando
alguns deixaram de poder ir apanhar os ramos, passaram-nos a comprar
nas diversas festividades que ocorriam em localidades principalmente
do interior algarvio.
Atualmente,
a tradição da espiga e o significado do Dia permanecem na memória
dos mais antigos. E é em Loulé que ainda tem o seu expoente máximo.
A cidade celebra o Dia do Município e feriado municipal coincidindo
com o Dia da Espiga. E na freguesia de Salir, há 49 anos que se
realiza uma grande festa de vários dias, durante a qual se procura
recordar as atividades do mundo rural.







