Vá por Tavira de bicicleta sem pedalar
Quem
vê estas bicicletas em Tavira "primeiro estranha, mas depois
acha muita graça". As palavras são de Filipe Saleiro, criador
da TaviraPedicab que, ao lado do amigo Ricardo Nascimento, promete
mudar a forma de ver a cidade. Mas esta não é uma bicicleta
qualquer: é um rickshaw com capacidade para duas pessoas de todas as
idades.
Com
a ponte antiga a fazer de cenário, subimos a bordo para um passeio
alternativo. Ao volante do rickshaw, Filipe começa por nos contar a
lenda do rio, que tem dois nomes, Gilão e Séqua. Histórias de amor
e desamor que nos guiam já para outros tempos. O bom tempo e o sol,
tão característicos do Algarve, dão uma mãozinha a tornar o
passeio ainda mais agradável.
A
ideia usar o rickshaw para passeios veio do Oriente, onde este meio
de transporte é bastante comum. Mas trazê-lo para Tavira não foi
fácil, até porque só existe uma loja em Portugal que
disponibiliza e assiste estas bicicletas. Mas Filipe e Ricardo foram
persistentes e desde o verão que quem visita a cidade pode fazê-lo
num meio de transporte totalmente amigo do ambiente.
"Quem
anda, gosta muito", assegura Filipe, enquanto seguimos até ao
Arraial Ferreira Neto, paredes meias com as milenares salinas que
encantam quem visita a cidade e, assim, fica a saber como se produz o
sal marinho. "Quem não anda, pensa que que a força é
exclusivamente do pedal", continua o nosso guia-turístico. Mas
está enganado. Estas bicicletas dispõem de uma bateria, pelo que "a
força do pedal é apenas um acessório", garante Filipe.
Esta
é uma condição importante quando se passeia pelas zonas altas da
cidade como o Alto de Santa Ana, onde se pode contemplar o Rio Gilão
e o castelo, já na outra margem. É já aí que Filipe nos apresenta
a Igreja de Santa Maria do Castelo e a torre do relógio, que
sobreviveu a várias remodelações e modificações e continua a
marcar as horas da cidade. Fala-nos também da antiga sinagoga, agora
convertida numa igreja.
A
TaviraPedicab tem trajetos específicos, que incluem um passeio
apenas pela zona central e histórica da cidade, uma visita às
salinas por dois trajetos alternativos ou uma ida até à aldeia de
Santa Luzia, já fora da cidade. Mas até aí Filipe e Ricardo são
inovadores: o visitante pode escolher o percurso e os locais a
visitar, fugindo a qualquer tipo de visita guiada. Daí que o preço
seja estabelecido em tempo e não em trajeto.
As
visitas podem ser feitas em quatro línguas: português, inglês,
francês e espanhol. Os preços variam entre os 20 euros, de 30
minutos, e os 50 euros, se o passeio durar duas horas.
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