sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Vá por Tavira de bicicleta sem pedalar


Quem vê estas bicicletas em Tavira "primeiro estranha, mas depois acha muita graça". As palavras são de Filipe Saleiro, criador da TaviraPedicab que, ao lado do amigo Ricardo Nascimento, promete mudar a forma de ver a cidade. Mas esta não é uma bicicleta qualquer: é um rickshaw com capacidade para duas pessoas de todas as idades.

 

Com a ponte antiga a fazer de cenário, subimos a bordo para um passeio alternativo. Ao volante do rickshaw, Filipe começa por nos contar a lenda do rio, que tem dois nomes, Gilão e Séqua. Histórias de amor e desamor que nos guiam já para outros tempos. O bom tempo e o sol, tão característicos do Algarve, dão uma mãozinha a tornar o passeio ainda mais agradável.

 

A ideia usar o rickshaw para passeios veio do Oriente, onde este meio de transporte é bastante comum. Mas trazê-lo para Tavira não foi fácil, até porque só existe uma loja em Portugal que disponibiliza e assiste estas bicicletas. Mas Filipe e Ricardo foram persistentes e desde o verão que quem visita a cidade pode fazê-lo num meio de transporte totalmente amigo do ambiente.

 

"Quem anda, gosta muito", assegura Filipe, enquanto seguimos até ao Arraial Ferreira Neto, paredes meias com as milenares salinas que encantam quem visita a cidade e, assim, fica a saber como se produz o sal marinho. "Quem não anda, pensa que que a força é exclusivamente do pedal", continua o nosso guia-turístico. Mas está enganado. Estas bicicletas dispõem de uma bateria, pelo que "a força do pedal é apenas um acessório", garante Filipe.

 

Esta é uma condição importante quando se passeia pelas zonas altas da cidade como o Alto de Santa Ana, onde se pode contemplar o Rio Gilão e o castelo, já na outra margem. É já aí que Filipe nos apresenta a Igreja de Santa Maria do Castelo e a torre do relógio, que sobreviveu a várias remodelações e modificações e continua a marcar as horas da cidade. Fala-nos também da antiga sinagoga, agora convertida numa igreja.

 

A TaviraPedicab tem trajetos específicos, que incluem um passeio apenas pela zona central e histórica da cidade, uma visita às salinas por dois trajetos alternativos ou uma ida até à aldeia de Santa Luzia, já fora da cidade. Mas até aí Filipe e Ricardo são inovadores: o visitante pode escolher o percurso e os locais a visitar, fugindo a qualquer tipo de visita guiada. Daí que o preço seja estabelecido em tempo e não em trajeto.

 


As visitas podem ser feitas em quatro línguas: português, inglês, francês e espanhol. Os preços variam entre os 20 euros, de 30 minutos, e os 50 euros, se o passeio durar duas horas.

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