sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

A marca de Alvor na História de Angola


O Alvor deixou a sua marca na História de Angola. A 15 de janeiro de 1975, foi assinado na localidade algarvia, entre as forças de libertação de Angola e representantes do Estado português, o acordo que viria a permitir a independência daquela que era, por aquela altura, já a última colónia africana de Portugal. Mas pouco do documento foi efetivamente cumprido.
 
Pela sua localização discreta e pelo espaço abundante, o Hotel Penina foi o local escolhido para o encontro entre os representantes das duas partes. Do lado português, marcaram presença Melo Antunes, ministro sem Pasta, considerado o grande responsável pelo processo de descolonização, Mário Soares, líder do PS, Almeida Santos, ministro da Coordenação Interterritorial, e Costa Gomes, Chefe de Estado. Por Angola, estiveram presentes os líderes dos três movimentos independentistas: Agostinho Neto, MPLA, Holden Roberto, FNLA, e Jonas Savimbi, UNITA.
 
O acordo assinado entre as partes reconhecia que os três movimentos eram os "únicos legítimos representantes do povo angolano" e previa Angola se tornasse independente a 11 de novembro do mesmo ano, após a realização das eleições convocadas pelo Governo de Transição e disputadas "exclusivamente" pelos três partidos com ramos armados.
 

Contudo, do acordo do Alvor restou apenas um facto objetivo: Angola tornou-se independente a 11 de novembro de 1975, mas no meio de um conflito terrível, que viria a durar 27 anos até 2002. O Governo de Transição dissolveu-se entre combates e as eleições não foram convocadas. Também Portugal não proclamou a independência de Angola, como previa o acordo. Foi Agostinho Neto a declarar o país independente em Luanda, uma cidade que o seu partido, o MPLA, controlava, empurrando para norte o FNLA e para sul a UNITA.

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