O
Alvor deixou a sua marca na História de Angola. A 15 de janeiro de
1975, foi assinado na localidade algarvia, entre as forças de
libertação de Angola e representantes do Estado português, o
acordo que viria a permitir a independência daquela que era, por
aquela altura, já a última colónia africana de Portugal. Mas pouco
do documento foi efetivamente cumprido.
Pela
sua localização discreta e pelo espaço abundante, o Hotel Penina
foi o local escolhido para o encontro entre os representantes das
duas partes. Do lado português, marcaram presença Melo Antunes,
ministro sem Pasta, considerado o grande responsável pelo processo
de descolonização, Mário Soares, líder do PS, Almeida Santos,
ministro da Coordenação Interterritorial, e Costa Gomes, Chefe de
Estado. Por Angola, estiveram presentes os líderes dos três
movimentos independentistas: Agostinho Neto, MPLA, Holden Roberto,
FNLA, e Jonas Savimbi, UNITA.
O
acordo assinado entre as partes reconhecia que os três movimentos
eram os "únicos legítimos representantes do povo angolano"
e previa Angola se tornasse independente a 11 de novembro do mesmo
ano, após a realização das eleições convocadas pelo Governo de
Transição e disputadas "exclusivamente" pelos três
partidos com ramos armados.
Contudo,
do acordo do Alvor restou apenas um facto objetivo: Angola tornou-se
independente a 11 de novembro de 1975, mas no meio de um conflito
terrível, que viria a durar 27 anos até 2002. O Governo de
Transição dissolveu-se entre combates e as eleições não foram
convocadas. Também Portugal não proclamou a independência de
Angola, como previa o acordo. Foi Agostinho Neto a declarar o país
independente em Luanda, uma cidade que o seu partido, o MPLA,
controlava, empurrando para norte o FNLA e para sul a UNITA.

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