quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Mãe Soberana há 500 anos a proteger


Havia uma donzela de 15 anos que, ao colocar flores num altar mandado erigir pelos pais junto a uma gruta num final de tarde, se viu atacada por um fidalgo da região. A moça resistiu aos avanços violentos e pediu ajuda à Virgem da Piedade. Dá-se o milagre: a moça é salva e o atacante morre frade num convento. Esta é apenas uma das lendas da Mãe Soberana, que há 500 anos protege a região desde o seu santuário.

Na realidade, o Santuário da Mãe Soberana, padroeira de Loulé, tem a designação oficial de Nossa Senhora da Piedade, mas poucos o conhecem assim. Todos os anos, no Domingo de Páscoa, a Virgem é levada em procissão para ser adorada durante 15 dias na cidade, culminando com uma grande festa. É assim há 500 anos.

Outra lenda diz ainda os habitantes pretendiam construir uma capela junto à gruta para adorar a Virgem. Os operários que davam estrutura a essa vontade deixavam as ferramentas no local ao fim do dia, mas na manhã seguinte elas apareciam no cume do monte. O milagre era explicado com a vontade da Virgem ficar num local mais visível para ser adorada.

Lendas à parte, sabe-se que a Ermida da Nossa Senhora da Piedade foi erigida em 1553 pela extinta Ordem Militar de Santiago, e é um dos mais importantes santuários da marianos de Portugal e é reconhecida como a maior manifestação religiosa a sul de Fátima.

No final da festa, o andor com a Virgem é carregado ao ombro por oito homens até ao Santuário, ao som de música acelerada. Noutros tempos, pensava que os homens tinham capacidades sobre-humanas para subirem o cerro com tamanho peso. Agora já não é assim, mas continua a ser um esforço muito considerável.

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