Havia
uma donzela de 15 anos que, ao colocar flores num altar mandado
erigir pelos pais junto a uma gruta num final de tarde, se viu
atacada por um fidalgo da região. A moça resistiu aos avanços
violentos e pediu ajuda à Virgem da Piedade. Dá-se o milagre: a
moça é salva e o atacante morre frade num convento. Esta é apenas
uma das lendas da Mãe Soberana, que há 500 anos protege a região
desde o seu santuário.
Na
realidade, o Santuário da Mãe Soberana, padroeira de Loulé, tem a
designação oficial de Nossa Senhora da Piedade, mas poucos o
conhecem assim. Todos os anos, no Domingo de Páscoa, a Virgem é
levada em procissão para ser adorada durante 15 dias na cidade,
culminando com uma grande festa. É assim há 500 anos.
Outra
lenda diz ainda os habitantes pretendiam construir uma capela junto à
gruta para adorar a Virgem. Os operários que davam estrutura a essa
vontade deixavam as ferramentas no local ao fim do dia, mas na manhã
seguinte elas apareciam no cume do monte. O milagre era explicado com
a vontade da Virgem ficar num local mais visível para ser adorada.
Lendas
à parte, sabe-se que a Ermida da Nossa Senhora da Piedade foi
erigida em 1553 pela extinta Ordem Militar de Santiago, e é um dos
mais importantes santuários da marianos de Portugal e é reconhecida
como a maior manifestação religiosa a sul de Fátima.
No
final da festa, o andor com a Virgem é carregado ao ombro por oito
homens até ao Santuário, ao som de música acelerada. Noutros
tempos, pensava que os homens tinham capacidades sobre-humanas para
subirem o cerro com tamanho peso. Agora já não é assim, mas
continua a ser um esforço muito considerável.

Sem comentários:
Enviar um comentário