quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Dança a roda sem parar este Corridinho


Os pares voam numa roda, as saias das moças esvoaçam e não há quem resista a querer seguir a dança. A 'alma algarvia' é o seu tema mais conhecido e continua presente nas festas e bailes. Claro, falamos do Corridinho, a dança mais tradicional do Algarve.

Diz o poeta popular que "o Corridinho deve ser ligeirinho e também atrevidinho pr'as moças animar. Voam as saias e as blusas de cambraia, cor de campo, mar ou praia, nunca param de rodar". Assim é nesta dança de roda.

O Corridinho surge nos primeiros anos do século XX. Este género musical teve origem na Europa oriental e foi trazido para o Algarve por um espanhol Lorenzo Alvarez Garvia para cortejar a louletana Maria da Conceição, dedicando-lhe a polca La Azucena.

A rápida popularização do acordeão, que chegou à região nos finais do século XIX, veio enriquecer os reportórios tradicionais das danças de salão da época - polcas e mazurcas -, que passam a ser interpretadas nos bailaricos do campo. É da sua reinvenção e reinterpretação que nasce o corridinho.

A concertina e os ferrinhos dão uma ajuda à voz do mandador, que organiza a roda e vai apresentando os pares vestidos a rigor com roupas do campo e da cidade do início do século XX. E não coíbe de lançar umas piadas ao jeito popular.

Para entrar na dança, os pares sempre agarrados formam uma roda, as raparigas por dentro e os rapazes por fora. Primeiro entra o casal de ir à missa, depois os camponeses, os comprometidos, o pastor e a queijeira aguçados pelo mandador.

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