Os
pares voam numa roda, as saias das moças esvoaçam e não há quem
resista a querer seguir a dança. A 'alma algarvia' é o seu tema
mais conhecido e continua presente nas festas e bailes. Claro,
falamos do Corridinho, a dança mais tradicional do Algarve.
Diz
o poeta popular que "o Corridinho deve ser ligeirinho e também
atrevidinho pr'as moças animar. Voam as saias e as blusas de
cambraia, cor de campo, mar ou praia, nunca param de rodar".
Assim é nesta dança de roda.
O
Corridinho surge nos primeiros anos do século XX. Este género
musical teve origem na Europa oriental e foi trazido para o Algarve
por um espanhol Lorenzo Alvarez Garvia para cortejar a louletana
Maria da Conceição, dedicando-lhe a polca La Azucena.
A
rápida popularização do acordeão, que chegou à região nos
finais do século XIX, veio enriquecer os reportórios tradicionais
das danças de salão da época - polcas e mazurcas -, que passam a
ser interpretadas nos bailaricos do campo. É da sua reinvenção e
reinterpretação que nasce o corridinho.
A
concertina e os ferrinhos dão uma ajuda à voz do mandador, que
organiza a roda e vai apresentando os pares vestidos a rigor com
roupas do campo e da cidade do início do século XX. E não coíbe
de lançar umas piadas ao jeito popular.
Para
entrar na dança, os pares sempre agarrados formam uma roda, as
raparigas por dentro e os rapazes por fora. Primeiro entra o casal de
ir à missa, depois os camponeses, os comprometidos, o pastor e a
queijeira aguçados pelo mandador.

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