quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

O Cabo de todas as peregrinações


Muito antes de ser um ponto importante para os Descobrimentos portugueses, já o Cabo de São Vicente era um local místico que atraía crentes cristãos e muçulmanos. E na era Omíadas havia de se tornar um lugar de culto.


Reza a História que depois de se ter negado a mudar de religião durante as perseguições do Imperador romano Diocleciano aos cristãos da Península Ibérica, São Vicente foi martirizado em Valência em 304 d.C.


Apesar desses relatos, não é certa a forma como corpo do mártir chegou ao Cabo que viria a ter o seu nome. O cadáver pode ter chegado durante a fuga às invasões muçulmanas de cristãos de Valência, que ali terão naufragado, mas há também a versão de que o corpo de São Vicente ali deu à costa, depois de atirado ao mar e protegido por corvos.


Certa é a construção da Igreja do Corvo naquele local, nome que herdou dos supostos guardas de São Vicente e que por ali se mantinham vigilantes ao templo. Mais tarde, já no século XII, o geografo árabe al-Idrisi havia de se referir à Igreja como Kaniçat al-Ghurab.


O santuário havia de se tornar um dos principais pontos de peregrinação, quer para moçárabes - cristãos da Península Ibérica que viviam sob a lei islâmica - e muçulmanos.


Após a reconquista cristã do Algarve, os restos mortais de São Vicente foram transladados para a Igreja de Santa Justa em Lisboa, tornando-se o padroeiro da cidade, que também adotou os Corvos para símbolo.


Atualmente, no Cabo de São Vicente já não existem vestígios físicos, apenas as memórias, as lendas, força mística do local e o nome do mártir que lhe está sempre associado.

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