O Cabo de todas as peregrinações
Muito
antes de ser um ponto importante para os Descobrimentos portugueses,
já o Cabo de São Vicente era um local místico que atraía crentes
cristãos e muçulmanos. E na era Omíadas havia de se tornar um
lugar de culto.
Reza
a História que depois de se ter negado a mudar de religião durante
as perseguições do Imperador romano Diocleciano aos cristãos da
Península Ibérica, São Vicente foi martirizado em Valência em 304
d.C.
Apesar
desses relatos, não é certa a forma como corpo do mártir chegou ao
Cabo que viria a ter o seu nome. O cadáver pode ter chegado durante
a fuga às invasões muçulmanas de cristãos de Valência, que ali
terão naufragado, mas há também a versão de que o corpo de São
Vicente ali deu à costa, depois de atirado ao mar e protegido por
corvos.
Certa
é a construção da Igreja do Corvo naquele local, nome que herdou
dos supostos guardas de São Vicente e que por ali se mantinham
vigilantes ao templo. Mais tarde, já no século XII, o geografo
árabe al-Idrisi havia de se referir à Igreja como Kaniçat
al-Ghurab.
O
santuário havia de se tornar um dos principais pontos de
peregrinação, quer para moçárabes - cristãos da Península
Ibérica que viviam sob a lei islâmica - e muçulmanos.
Após
a reconquista cristã do Algarve, os restos mortais de São Vicente
foram transladados para a Igreja de Santa Justa em Lisboa,
tornando-se o padroeiro da cidade, que também adotou os Corvos para
símbolo.
Atualmente,
no Cabo de São Vicente já não existem vestígios físicos, apenas
as memórias, as lendas, força mística do local e o nome do mártir
que lhe está sempre associado.
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