António Aleixo faz-lhe companhia à mesa
No
Café Calcinha, há um cliente fiel. Sentado numa mesa privilegiada,
não faz cara feia aos que passam e mira todos quantos param. É
António Aleixo, o poeta algarvio que ganhou estátua no café que o
acolheu, em Loulé.
O
espaço deve o seu nome a um congénere brasileiro, que também
serviu de original ao café que se estabeleceu no número 67 da
Avenida da República, já se contam quase 90 anos. Mas foi António
Aleixo que lhe deu fama e, agora, é paragem obrigatória para quem
quer tomar uma bica ou deliciar-se com os doces tradicionais. O
poeta, que fez do café uma sua casa na primeira metade do séc. XX,
não podia imaginar que ali ficaria para sempre.
António
Aleixo já não debita as suas quadras, mas assiste, sereno e
observador, à chegada de todos quantos pretendem saborear alguns
momentos de história, que devem ser sempre acompanhados com doces
tradicionais do Algarve, em particular os de amêndoa ou alfarroba.
Podem também tomar refeições ligeiras e experimentar os salgados,
regados com uma cerveja, na esplanada ou no interior do café, onde o
estilo de Art Deco se mantém desde os anos 20.
O
Calcinha integra a 'Rede de Cafés com História de Portugal' e desde
2004 passou a ter o estatudo de utilidade pública, concedido pela
Câmara de Loulé e justificado com o facto de ser um espaço único
de tertúlia, do qual fizeram parte figuras de prestígio da vida
pública, não só louletanas, como também nacionais. Agora está
perto de mudar de mãos, ficando a edilidade com os destinos do
espaço. Mas mantém a promessa de manter a identidade do Café
Calcinha e preservar a sua história.
Com
assento de nascimento em Vila Real de Santo António, António Aleixo
estabeleceu-se em Loulé após um período de emigração em França
e ali desenvolveu as suas qualidades de escritor e poeta. O Café
Calcinha foi o palco que deu vida a quadras e poemas, que declamava
em tertúlias.
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