segunda-feira, 11 de abril de 2016

António Aleixo faz-lhe companhia à mesa


No Café Calcinha, há um cliente fiel. Sentado numa mesa privilegiada, não faz cara feia aos que passam e mira todos quantos param. É António Aleixo, o poeta algarvio que ganhou estátua no café que o acolheu, em Loulé.

 

O espaço deve o seu nome a um congénere brasileiro, que também serviu de original ao café que se estabeleceu no número 67 da Avenida da República, já se contam quase 90 anos. Mas foi António Aleixo que lhe deu fama e, agora, é paragem obrigatória para quem quer tomar uma bica ou deliciar-se com os doces tradicionais. O poeta, que fez do café uma sua casa na primeira metade do séc. XX, não podia imaginar que ali ficaria para sempre.

 

António Aleixo já não debita as suas quadras, mas assiste, sereno e observador, à chegada de todos quantos pretendem saborear alguns momentos de história, que devem ser sempre acompanhados com doces tradicionais do Algarve, em particular os de amêndoa ou alfarroba. Podem também tomar refeições ligeiras e experimentar os salgados, regados com uma cerveja, na esplanada ou no interior do café, onde o estilo de Art Deco se mantém desde os anos 20.

 

O Calcinha integra a 'Rede de Cafés com História de Portugal' e desde 2004 passou a ter o estatudo de utilidade pública, concedido pela Câmara de Loulé e justificado com o facto de ser um espaço único de tertúlia, do qual fizeram parte figuras de prestígio da vida pública, não só louletanas, como também nacionais. Agora está perto de mudar de mãos, ficando a edilidade com os destinos do espaço. Mas mantém a promessa de manter a identidade do Café Calcinha e preservar a sua história.

 


Com assento de nascimento em Vila Real de Santo António, António Aleixo estabeleceu-se em Loulé após um período de emigração em França e ali desenvolveu as suas qualidades de escritor e poeta. O Café Calcinha foi o palco que deu vida a quadras e poemas, que declamava em tertúlias.

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