Quando
o médico francês começou a plantar vinhas, os vizinhos acharam que
não sabia o que estava a fazer. Mas o amor de Patrick Agostini à
terra e ao vinho falou mais alto. O médico de Anatomia Patológica
agarrou-se a um dos segredos do Algarve que estava praticamente
esquecido e lançou o seu projeto. Nascia a Quinta do Francês, que
hoje é um sucesso na produção de vinho da região.
Apesar
de saber "que não era uma região vinícola", Patrick, de
nacionalidade francesa, "gostou do Algarve" e aqui escolheu
viver, trabalhar e cultivar o seu sonho. Quem o conta é Fátima
Santos, a esposa, que abraçou também o projeto e nos faz uma visita
guiada pela adega.
Patrick,
que já trazia alguns conhecimentos da produção de vinho na região
de Bordéus, em França, decidiu-se pela zona junto à ribeira de
Odelouca para implementar as vinhas. Os terrenos xistosos e as
encostas viradas a sul foram factores determinantes. Em 2002, as
primeiras vinhas eram plantadas e em 2008 a adega estava pronta a
produzir o néctar dos Deuses.
No
total são já 8 hectares de produção de uvas tintas (das castas
Aragonês, Trincadeira, Syrah e Cabernet Suavignon), a que se junta
mais um hectare, próximo da Quinta para a produção de uva branca
(Viognier). Patrick queria apenas dedicar-se à produção de vinhos
tintos, que têm conquistado prémios em concursos nacionais e
internacionais, mas o apelo dos clientes acabou por alargar a
variedade ao branco e ao rosé.
Na
adega da Quinta, Fátima Santos mostra-nos as barricas de carvalho
francês, onde o vinho tinto estagia pelo menos 14 meses e o branco,
no mínimo seis meses. Mas à exceção do nome e das barricas, tudo
o resto é nacional. "O vinho e as garrafas são portugueses,
tal como os rótulos", sublinha Fátima Santos.
A
produção da Quinta, desde o vinho até ao embalamento, é feito na
adega, de onde saem anualmente milhares de garrafas para
supermercados e restaurantes algarvios, mas também para Lisboa e
Porto e para a Suíça, Bélgica, Alemanha e França. Para degustar
este néctar nascido e criado nas terras de Silves, pode escolher
entre as gamas da marca Quinta do Francês ou Odelouca.
A
Quinta está também aberta a visitas guiadas, que incluem sempre uma
prova de vinhos e de tapas. E há ainda a considerar a experiência
de como fazer uma vindima, lá para o final de agosto, quando é,
normalmente, iniciado o corte das uvas. Para saber mais sobre estas
experiências pode consultar a página
da internet da Quinta do Francês.
Patrick
continua a dividir o seu tempo entre o Centro Hospitalar do Algarve,
onde exerce as funções de médico, e a Quinta. Sem fazer
comparações sobre de "qual o amor que gosta mais", as
vinhas continuam a florescer, a Quinta a crescer e os vinhos a
conquistar quem os degusta. Agora, seis anos depois dos vinhos
estarem à venda nos mercados, os vizinhos são categóricos: "os
vinhos do médico francês são bons!".

Sem comentários:
Enviar um comentário