terça-feira, 12 de abril de 2016

Um vinho feito com muito amor


Quando o médico francês começou a plantar vinhas, os vizinhos acharam que não sabia o que estava a fazer. Mas o amor de Patrick Agostini à terra e ao vinho falou mais alto. O médico de Anatomia Patológica agarrou-se a um dos segredos do Algarve que estava praticamente esquecido e lançou o seu projeto. Nascia a Quinta do Francês, que hoje é um sucesso na produção de vinho da região.
 
Apesar de saber "que não era uma região vinícola", Patrick, de nacionalidade francesa, "gostou do Algarve" e aqui escolheu viver, trabalhar e cultivar o seu sonho. Quem o conta é Fátima Santos, a esposa, que abraçou também o projeto e nos faz uma visita guiada pela adega.
 
Patrick, que já trazia alguns conhecimentos da produção de vinho na região de Bordéus, em França, decidiu-se pela zona junto à ribeira de Odelouca para implementar as vinhas. Os terrenos xistosos e as encostas viradas a sul foram factores determinantes. Em 2002, as primeiras vinhas eram plantadas e em 2008 a adega estava pronta a produzir o néctar dos Deuses.
 
No total são já 8 hectares de produção de uvas tintas (das castas Aragonês, Trincadeira, Syrah e Cabernet Suavignon), a que se junta mais um hectare, próximo da Quinta para a produção de uva branca (Viognier). Patrick queria apenas dedicar-se à produção de vinhos tintos, que têm conquistado prémios em concursos nacionais e internacionais, mas o apelo dos clientes acabou por alargar a variedade ao branco e ao rosé.
 
Na adega da Quinta, Fátima Santos mostra-nos as barricas de carvalho francês, onde o vinho tinto estagia pelo menos 14 meses e o branco, no mínimo seis meses. Mas à exceção do nome e das barricas, tudo o resto é nacional. "O vinho e as garrafas são portugueses, tal como os rótulos", sublinha Fátima Santos.
 
A produção da Quinta, desde o vinho até ao embalamento, é feito na adega, de onde saem anualmente milhares de garrafas para supermercados e restaurantes algarvios, mas também para Lisboa e Porto e para a Suíça, Bélgica, Alemanha e França. Para degustar este néctar nascido e criado nas terras de Silves, pode escolher entre as gamas da marca Quinta do Francês ou Odelouca.
 
A Quinta está também aberta a visitas guiadas, que incluem sempre uma prova de vinhos e de tapas. E há ainda a considerar a experiência de como fazer uma vindima, lá para o final de agosto, quando é, normalmente, iniciado o corte das uvas. Para saber mais sobre estas experiências pode consultar a página da internet da Quinta do Francês.
 

Patrick continua a dividir o seu tempo entre o Centro Hospitalar do Algarve, onde exerce as funções de médico, e a Quinta. Sem fazer comparações sobre de "qual o amor que gosta mais", as vinhas continuam a florescer, a Quinta a crescer e os vinhos a conquistar quem os degusta. Agora, seis anos depois dos vinhos estarem à venda nos mercados, os vizinhos são categóricos: "os vinhos do médico francês são bons!".

Sem comentários:

Enviar um comentário