quarta-feira, 20 de abril de 2016

Em busca da História da Igreja de Santiago


Um facto concreto é que a Igreja de Santiago, em Tavira, foi construída no século XIII pela Ordem Militar de Santiago da Espada, que lhe deu o nome. Mas o seu passado e o futuro daí em diante estão envoltos em mistério. Vamos tentar estabelecer o percurso histórico desta Igreja, uma das mais antigas da cidade.
 
Começando pelo período anterior à existência da Igreja, não se sabe ao certo se no local havia uma mesquita, porque, explica o historiador de arte Daniel Santana, foram encontrados vestígios da existência de um templo muçulmano na Igreja de Santa Maria Maior, situada a poucos metros da Igreja de Santiago. Certo é que as duas Igrejas têm a mesma orientação: viradas para nascente.
 
A primeira informação oficial sobre a Igreja data de 1270 quanto esta foi retirada à Ordem pelo rei D. Afonso III e entregue ao Bispo de Silves, à época responsável máximo da Igreja Cristã no Algarve. Contudo, os vestígios mais antigos encontrados nesta Igreja datam apenas do século XVI e podem ser observados na Capela do Sagrado Coração de Jesus, onde se encontra uma pedra encrostada sob o altar e os arcos de uma antiga capela que já existiria dentro da Igreja.
 
Um dos pontos mais envoltos em mistério na história da Igreja acontece com o terramoto de 1755. Apesar de não haver relatos da época que testemunhem a sua destruição com o abalo, certo é que a sua configuração arquitetónica mudou radicalmente. O arquiteto Diogo Tavares é apontado como o responsável pela sua reconstrução, durante o século XVIII, tendo em conta a similitude com outros pórticos assinados por ele.
 
Dessa reconstrução, pode atualmente ser observado o acervo artístico constituído pelo retábulo (séc. XVIII), a Capela-Mor (séc. XIX), um conjunto de pinturas de grande dimensão sobre a 'Vida da Virgem', datadas dos sécs. XVIII e XIX, a imagem de Santiago na figura de peregrino com um chapéu de abas largas e conchas e ainda uma pintura que dá vida ao sonho do Rei Ramiro das Astúrias, em que Santiago é representado a conquistar a Península aos Mouros.
 
Uma boa parte do acervo artístico que atualmente está na Igreja de Santiago decorre da transferência de outros templos, na sequência do terramoto. Quem visitar a Igreja pode contemplar retábulos de Santa Rita de Cácia e de Nossa Senhora da Graça, que vieram de outras Igrejas, a estátua de Nossa Senhora A Franca, que pertencia à família tavirense Correia da Franca, telas da ascensão da Nossa Senhora e da Nossa Senhora da Natividade e a imagem de São Gonçalo de Lagos, um santo português pertencente à Ordem de Santo Agostinho.
 

Entre o espólio artístico encontra-se um verdadeiro achado histórico. São quatro painéis descobertos na Ermida de São Pedro em 1945, mas cujo registo histórico aponta a sua origem para a Igreja de Santa Maria. Os painéis representam São Batista, São Vicente, São Brás e São Pedro e foram pintados originalmente no séc. XV, mas no século seguinte, os painéis foram alvo de nova pintura. Aquando da sua descoberta, foram removidas as pinturas mais recentes de duas representações, São Brás e São Pedro, pelo Museu Nacional de Arte Antiga, em Lisboa, mas a discussão adensou-se sobre o levantamento das pinturas e as representações de São Vicente e São Brás mantiveram-se intactas, sabendo-se que existe uma pintura original do séc. XV sob as atuais. A propósito, pensa-se que, sobre este conjunto, haja um quinto painel ainda por descobrir.

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