Um
facto concreto é que a Igreja de Santiago, em Tavira, foi construída
no século XIII pela Ordem Militar de Santiago da Espada, que lhe deu
o nome. Mas o seu passado e o futuro daí em diante estão envoltos
em mistério. Vamos tentar estabelecer o percurso histórico desta
Igreja, uma das mais antigas da cidade.
Começando
pelo período anterior à existência da Igreja, não se sabe ao
certo se no local havia uma mesquita, porque, explica o historiador
de arte Daniel Santana, foram encontrados vestígios da existência
de um templo muçulmano na Igreja de Santa Maria Maior, situada a
poucos metros da Igreja de Santiago. Certo é que as duas Igrejas têm
a mesma orientação: viradas para nascente.
A
primeira informação oficial sobre a Igreja data de 1270 quanto esta
foi retirada à Ordem pelo rei D. Afonso III e entregue ao Bispo de
Silves, à época responsável máximo da Igreja Cristã no Algarve.
Contudo, os vestígios mais antigos encontrados nesta Igreja datam
apenas do século XVI e podem ser observados na Capela do Sagrado
Coração de Jesus, onde se encontra uma pedra encrostada sob o altar
e os arcos de uma antiga capela que já existiria dentro da Igreja.
Um
dos pontos mais envoltos em mistério na história da Igreja acontece
com o terramoto de 1755. Apesar de não haver relatos da época que
testemunhem a sua destruição com o abalo, certo é que a sua
configuração arquitetónica mudou radicalmente. O arquiteto Diogo
Tavares é apontado como o responsável pela sua reconstrução,
durante o século XVIII, tendo em conta a similitude com outros
pórticos assinados por ele.
Dessa
reconstrução, pode atualmente ser observado o acervo artístico
constituído pelo retábulo (séc. XVIII), a Capela-Mor (séc. XIX),
um conjunto de pinturas de grande dimensão sobre a 'Vida da Virgem',
datadas dos sécs. XVIII e XIX, a imagem de Santiago na figura de
peregrino com um chapéu de abas largas e conchas e ainda uma pintura
que dá vida ao sonho do Rei Ramiro das Astúrias, em que Santiago é
representado a conquistar a Península aos Mouros.
Uma
boa parte do acervo artístico que atualmente está na Igreja de
Santiago decorre da transferência de outros templos, na sequência
do terramoto. Quem visitar a Igreja pode contemplar retábulos de
Santa Rita de Cácia e de Nossa Senhora da Graça, que vieram de
outras Igrejas, a estátua de Nossa Senhora A Franca, que pertencia à
família tavirense Correia da Franca, telas da ascensão da Nossa
Senhora e da Nossa Senhora da Natividade e a imagem de São Gonçalo
de Lagos, um santo português pertencente à Ordem de Santo
Agostinho.
Entre
o espólio artístico encontra-se um verdadeiro achado histórico.
São quatro painéis descobertos na Ermida de São Pedro em 1945, mas
cujo registo histórico aponta a sua origem para a Igreja de Santa
Maria. Os painéis representam São Batista, São Vicente, São Brás
e São Pedro e foram pintados originalmente no séc. XV, mas no
século seguinte, os painéis foram alvo de nova pintura. Aquando da
sua descoberta, foram removidas as pinturas mais recentes de duas
representações, São Brás e São Pedro, pelo Museu Nacional de
Arte Antiga, em Lisboa, mas a discussão adensou-se sobre o
levantamento das pinturas e as representações de São Vicente e São
Brás mantiveram-se intactas, sabendo-se que existe uma pintura
original do séc. XV sob as atuais. A propósito, pensa-se que, sobre
este conjunto, haja um quinto painel ainda por descobrir.

Sem comentários:
Enviar um comentário