É
à beira do Guadiana, que se encontra a segunda Reserva Natural mais
antiga do País: o sapal de Castro Marim e Vila Real de Santo
António. A 27 de março de 1975 era publicado o decreto-lei que
colocava esta zona húmida de caraterísticas excecionais na lista de
áreas protegidas.
Quase
a terminar a longa jornada de cerca de 850 kms, desde a sua nascente
em Espanha, e antes de desaguar ao largo de Vila Real de Santo
António, o Rio Guadiana abre-se pela planície, conquistando terreno
com as suas águas. O sapal ocupa uma área de cerca de 2000
hectares, sendo dois terços de zona húmida.
É
neste estuário que dezenas de espécies encontram o habitat perfeito
para a reprodução, como peixes de água salgada (robalo, a dourada
ou o sargo, entre outros) ou de água doce (sável, savelha ou
lampreia-marinha), e crustáceos, que se desenvolvem nos charcos
temporários de inverno.
Este
é também um habitat com condições ideais para a presença de
aves. Já foram contabilizadas quase 200, a maioria das quais aves
migradoras de inverno, como o colhereiro ou o flamingo. Mas o mais
significativo nesta região é o pernilongo, eleito símbolo da
Reserva Natural. A cegonha-branca também aqui se fixou com uma
população importante a nível europeu. Há também as aves
aquáticas e as dos sapais secos.
Por
aqui foram também identificadas mais de 30 espécies de mamíferos,
entre as quais se destacam as lontras e os morcegos, ambas incluídas
na lista de animais ameaçados. Os terrenos húmidos são igualmente
muito ocupados por mais de 100 espécies de insetos e por anfíbios e
répteis.
A
tanta variedade faunística junta-se uma panóplia de mais de 400
espécies de plantas, algumas das quais que só se verificam em
Portugal, outras que só existem no Algarve e ainda uma que ocorre
apenas nas colinas junto ao Rio Guadiana.
Nas
zonas secas entre Castro Marim e Vila Real de Santo António,
predominam a agricultura e os pomares, com árvores típicas como a
alfarrobeira, a figueira ou a amendoeira.
Seguindo
os trilhos da Reserva, rapidamente encontra a imensa diversidade de
fauna e flora, mas também as salinas de Castro Marim, produzido
nesta região desde os tempos da ocupação romana, há cerca de 2000
anos. Atualmente, o produto mais apreciado e reconhecido produto é a
flor de sal, que chega às mesas nacionais em conjugações
fantásticas. Mas pode também deleitar-se com um banho mineral nas
salinas, que relaxam o corpo e a mente.
Para
ter uma vista privilegiada sobre toda esta Reserva Natural, o melhor
é ir até Castro Marim e admirar a paisagem a partir de um dos
miradouros existentes, como o Revelim de Santo António ou o Castelo.

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