quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Cheira a mar a alma algarvia


Com cerca de 200 quilómetros de costa a delimitar as fronteiras oeste e sul, era impossível ao Algarve não ter uma proximidade intrínseca com o mar. E assim é, há milhares de anos.

Os algarvios sempre olharam para o mar e procuraram ter uma relação próxima. Daí surgiu uma tradição marítima sentida até à alma. Traineiras, barcas, botes ou lanchas sempre saíram de porto seguro à conquista do mar. E os mariscadores sempre viveram ao sabor das suas marés.

Vieram daí as lendas, os mitos, as crenças, as tradições, as procissões, as festas do mar assentes em comunidades piscatórias à beira-mar plantadas, que continuam a viver um casamento feliz com as águas salgadas. Surgiram os portos de pesca e de recreio, as marinas, escolas náuticas e mercados, onde chega o melhor peixe fresco, tão importante na dieta algarvia.

As praias, as grutas e algares, as arribas fazem a simbiose perfeita entre mar e terra e são uma constante desde Aljezur, na costa oeste, até Vila Real de Santo António. A beleza perfeita não escapa aos que põe os olhos nestas paragens. Ou não fossem estes locais distinguidos como alguns dos mais belos do mundo ou até como "perfeitos".

Os algarvios vivem de olhos postos no mar. No mesmo mar eleito para a saída dos primeiros navegadores à procura de novos mundos. No mesmo mar por onde, muitos séculos antes, já tinham chegado outros povos, culturas e idiomas. E tal como antes, o mar está sempre presente na vida do Algarve, quer na faina piscatória, que ainda permanece, ou no turismo.

Sophia de Mello Breyner Andresen escreveu: "Quando eu morrer voltarei para buscar os instantes que não vivi junto do mar". Assim será também com o Algarve.


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