Com
cerca de 200 quilómetros de costa a delimitar as fronteiras oeste e
sul, era impossível ao Algarve não ter uma proximidade intrínseca
com o mar. E assim é, há milhares de anos.
Os
algarvios sempre olharam para o mar e procuraram ter uma relação
próxima. Daí surgiu uma tradição marítima sentida até à alma.
Traineiras, barcas, botes ou lanchas sempre saíram de porto seguro à
conquista do mar. E os mariscadores sempre viveram ao sabor das suas
marés.
Vieram
daí as lendas, os mitos, as crenças, as tradições, as procissões,
as festas do mar assentes em comunidades piscatórias à beira-mar
plantadas, que continuam a viver um casamento feliz com as águas
salgadas. Surgiram os portos de pesca e de recreio, as marinas,
escolas náuticas e mercados, onde chega o melhor peixe fresco, tão
importante na dieta algarvia.
As
praias, as grutas e algares, as arribas fazem a simbiose perfeita
entre mar e terra e são uma constante desde Aljezur, na costa oeste,
até Vila Real de Santo António. A beleza perfeita não escapa aos
que põe os olhos nestas paragens. Ou não fossem estes locais
distinguidos como alguns dos mais belos do mundo ou até como
"perfeitos".
Os
algarvios vivem de olhos postos no mar. No mesmo mar eleito para a
saída dos primeiros navegadores à procura de novos mundos. No mesmo
mar por onde, muitos séculos antes, já tinham chegado outros povos,
culturas e idiomas. E tal como antes, o mar está sempre presente na
vida do Algarve, quer na faina piscatória, que ainda permanece, ou
no turismo.
Sophia
de Mello Breyner Andresen escreveu: "Quando eu morrer voltarei
para buscar os instantes que não vivi junto do mar". Assim será
também com o Algarve.

Sem comentários:
Enviar um comentário