segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Quando o Algarve era um Reino à parte


Quando em 1189, D. Sancho I conquistou Silves aos Mouros, intitulou-se Reino de Portugal e do Algarve. A conquista desta importante cidade da época viria a revelar-se fugaz. Entre batalhas e guerras, avanços e recuos, só em 1249 D. Afonso III haveria de anexar em definitivo o território para Portugal, com a conquista do castelo de Faro. E tal como o seu ascendente, intitulou-se Rei de Portugal e do Algarve. E assim permaneceu o País até 1910.

Para esta distinção, contribuíram também as pretensões de Afonso X de Castela, que reivindicava o Algarve para os seus domínios. A questão só ficaria definitivamente resolvida e de papel passado no Tratado de Badajoz, em 1297, quando ficaram estabelecidas as fronteiras entre Portugal e o Reino de Castela.

Na realidade, a região, que era a única a ser distinguida pela Coroa portuguesa, nunca teve quaisquer privilégios, instituições, foros ou sequer autonomia. Na prática o Reino do Algarve era apenas um título honorífico usado pelos Reis. Talvez fosse apenas uma forma de distinguir a última região a ser conquistada e que se debateu por vários séculos pela sua independência, numa menção positiva.

O nome ainda viria a sofrer uma ligeira distinção quando, em 1471, deu lugar a 'Reino dos Algarves' devido à elevação dos senhorios norte-africanos da coroa portuguesa à condição de reino. Mas nenhum dos sucessivos Reis das três dinastias que governaram o País, procederam à 'unificação' do País. O Reino de Portugal e dos Algarves manteve-se até 1910, data em que Portugal passou a ser oficialmente uma República.

E a verdade é que, apesar de já não haver qualquer referência à região no nome oficial do País, 'Reino do Algarve' é uma expressão ainda muito conhecida nos dias de hoje.

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