Quando
em 1189, D. Sancho I conquistou Silves aos Mouros, intitulou-se Reino
de Portugal e do Algarve. A conquista desta importante cidade da
época viria a revelar-se fugaz. Entre batalhas e guerras, avanços e
recuos, só em 1249 D. Afonso III haveria de anexar em definitivo o
território para Portugal, com a conquista do castelo de Faro. E tal
como o seu ascendente, intitulou-se Rei de Portugal e do Algarve. E
assim permaneceu o País até 1910.
Para
esta distinção, contribuíram também as pretensões de Afonso X de
Castela, que reivindicava o Algarve para os seus domínios. A questão
só ficaria definitivamente resolvida e de papel passado no Tratado
de Badajoz, em 1297, quando ficaram estabelecidas as fronteiras entre
Portugal e o Reino de Castela.
Na
realidade, a região, que era a única a ser distinguida pela Coroa
portuguesa, nunca teve quaisquer privilégios, instituições, foros
ou sequer autonomia. Na prática o Reino do Algarve era apenas um
título honorífico usado pelos Reis. Talvez fosse apenas uma forma
de distinguir a última região a ser conquistada e que se debateu
por vários séculos pela sua independência, numa menção positiva.
O
nome ainda viria a sofrer uma ligeira distinção quando, em 1471,
deu lugar a 'Reino dos Algarves' devido à elevação dos senhorios
norte-africanos da coroa portuguesa à condição de reino. Mas
nenhum dos sucessivos Reis das três dinastias que governaram o País,
procederam à 'unificação' do País. O Reino de Portugal e dos
Algarves manteve-se até 1910, data em que Portugal passou a ser
oficialmente uma República.
E
a verdade é que, apesar de já não haver qualquer referência à
região no nome oficial do País, 'Reino do Algarve' é uma expressão
ainda muito conhecida nos dias de hoje.

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